Cultura Popular na Idade Media e no Renascimento- Mikhail Bakhtin
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Cultura Popular na Idade Media e no Renascimento- Mikhail Bakhtin Cultura Popular na Idade Media e no Renascimento: O contexto de François Rabelais [1965]. Mikhail Bakhtin [1895-1975]. Editora da UnB, 1997, 500 páginas. Tamanho padrão: 21 x 14 x 3cm. Peso: 900 gramas. (Livro esgotado, novo, um clássico moderno). Preço: R$ 69,00. Resumo: Bakhtin ofereceu significativas contribuições para a filosofia, a teoria literária, a lingüística e a antropologia (especialmente nos estudos em torno da cultura), uma vez que seus textos trazem fecundas reflexões sobre variados temas dessas áreas. Nesta obra, Bakhtin estuda Gargantua e Pantagruel, do qual faz uma minuciosa análise temática e de linguagem e aprofunda o conceito de carnavalização e oportuniza reflexões sobre polifonia e dialogismo. O foco central do trabalho de Bakhtin, nesse livro, é a representação da cultura popular nos escritos de Rabelais, nos quais a carnavalização se manifesta de modo preponderante e pode ser compreendida como uma linguagem carregada de símbolos e alegorias, em que se pontua a divergência entre o oficial e o não-oficial ou, mais propriamente, a ruptura com tudo que é institucionaliza do. Ao debruçar-se sobre aspectos da cultura popular, Bakhtin evidencia que esta se conjuga ao riso, em oposição ao tom sério, característico do período medieval, como uma espécie de emancipação social, em que a vida cotidiana é reconfigurada alegoricamente e tem sua mais intensa manifestação no carnaval. Bakhtin abre a possibilidade de aproximação entre o conceito de carnavalização, e o carnaval como fenômeno próprio da manifestação popular. Na carnavalização, pode-se identificar elementos dos ritos carnavalescos da Idade Média e do Renascimento, em que o povo saía às ruas, em procissões, comemorando a liberdade de expressão e a contravenção à ordem imposta (religiosa, principalmente). Nessas festas, predominavam o riso, a alegria, a felicidade, proibidos pela Igreja, porque representavam os sentimentos torpes, pecaminosos, dignos de punição. Outro aspecto constante dos ritos carnavalescos são as situações de desnudamento e de mascaramento, já que o ato de pôr a máscara significa assumir outra personalidade ou esconder-se, assim como o de tirar a máscara significa mostra-se, exibir-se. A carnavalização celebra o riso, o cômico, e nesse sentido, a paródia é o elemento que mais se aproxima da carnavalização, visto que subverte a ordem pré- estabelecida, pelo deboche, pela sátira da realidade. O palco carnavalesco, segundo Bakhtin, é o da vida privada, daquilo que é comum a todos os homens, aquele em que não há regras, tudo é permitido, inclusive o grotesco, o obsceno, ao contrário, justamente, do que apregoa a cultura oficial cerceadora.
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