Mestre Eckhart: O diálogo com Deus - Luiz Carlos Lisboa
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Mestre Eckhart: O diálogo com Deus - Luiz Carlos Lisboa Mestre Eckhart: O diálogo com Deus. Luiz Carlos Lisboa [1929]. Coleção Transcendência, volume 1. T. A. Queiroz Editor, 1986, 53 páginas. Tamanho pequeno: 18 x 10,5cm. Peso: 170 gramas. (Livro esgotado, em excelente estado de conservação: sem assinatura, sem sublinhados, sem manchas de umidade. Uma pequena jóia para bibliófilos). Preço: R$15,00 mais o frete. Resumo: Por esta coleção desfilam personagens que transcenderam a si mesmas, deixando uma obra escrita que nos causa espanto místico diante do inescrutável universo que o homem traz dentro de si, mais misterioso e enigmático do que aquele que abriga os sóis e as estrelas. Embora a Igreja de Roma tendesse a impor uma atmosfera intelectual rigidamente controlada conforme seus objetivos e interesses, a presença da filosofia espiritualista de Platão e dos Neoplatônicos nunca foi totalmente suprimida, durante a Idade Média. Isso explica o fato de que os estudiosos dominicanos da cidade de Colônia e de outros centros renananos haverem construído uma ambiente favorável a um segundo renascimento do neoplatonismo, caracterizado por uma intensa acentuação mística. Foi neste ambiente propício, que surgiu o mestre dominicano Mestre Eckhart [1260-1327]. Em sua obra está muito presente a unidade entre Deus e o homem, entre o que consideramos sobrenatural e o que achamos ser natural. É um pensamento holístico, pois. Como afirmava Plotino, Eckhart também acreditava que sem um algo, a que chamamos Deus, o homem e o mundo não teriam nenhum sentido e nada seriam. Alguma "coisa" tem de dar sentido a tudo o que existe. Tudo está imerso numa Unidade. A Unidade é dinâmica e é diversidade, assim como as sete cores são o arco-íris. Assim, somos filhos de Deus, mas também somos Deus. E assim tudo rearfirma a Unidade. E tal é o poder que temos, que o mundo sempre será para nós aquilo que dele pensarmos. Mas o Deus "que está em todas as criaturas é o mesmo que está acima delas, pois aquilo que é Uno deve ser mais que a mera soma das coisas". Isto é um belíssmo exemplo holístico. Para ir de encontro a Deus, o homem deve ser livre: "Livre espírito é aquele que não se preocupa com nada e a nada se liga" (isso lembra a mensagem budista do desapego), "já que se aprofunda na amantíssima vontade de Deus". E quem tem Deus, ou seja, quem o encontra em si mesmo "o tem em todos os lugares, nas ruas e entre as pessoas, da mesma forma que na Igreja, na solidão ou na cela". Para Eckhart, por que não nos abandonarmos em Deus? Jesus não disse que "as aves do céu não amontoam em celeiros, nem cultivam, mas mesmo assim o Pai do Céu não as alimenta? Não sóis vóis mais que as aves?". Devemos reconhecer Deus em nós. O homem deve se "exercitar nas obras, que são seus frutos", mas, ao mesmo tempo, "deve aprender a ser livre mesmo em meio às nossas obras". As idéias de Eckhart tinham uma dimensão revolucionária. Elas foram acolhidas pelas camadas populares e burguesas, que interpretavam o apelo eckhartiano à interioridade da fé e à união divina como uma rebelião implícita à exterioridade "farisáica" de uma hierarquia e de um clero moralmente decadente. Sua herança influenciou, significativamen te, a Martinho Lutero.
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